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Pronto Atendimento, quando levar seu filho

Pronto Atendimento, um assunto que deixa muitas mamães em dúvida, que às vezes preferem “pecar pelo excesso”, mas acabam expondo seus filhos a saídas desnecessárias, exames invasivos, estresse, loooongas esperas (ainda mais nessa época do ano) e, dependendo do caso, uma conversa com o pediatra, uma conduta expectante ou uma consulta agendada poderiam resolver a situação. Escolhi separar por sintomas, para deixar bem claro, em cada caso, os sinais de alerta, que são os que nos fazem correr com os pequenos.

FEBRE: o mais comum sinal/ sintoma das doenças infantis. É um sinal amarelo, que algo vai aparecer nas próximas horas ou dias. Febre alta (acima de 39°), persistente (que não cede com antitérmico), recorrente (que aparece em intervalos curtos) ou principalmente associada a sintomas como tremores, cianose de extremidades ou perioral (boquinha e dedinhos roxos), irritabilidade excessiva (choro, choro, muito choro) ou piora dos sintomas que causaram a febre, é hora de ir para o pronto atendimento.

Vale explicar para vocês que, quando pedimos para esperar 24, 48 ou até 72 horas de febre para ver a criança, é que às vezes o corpo leva um tempo para localizar a infecção, ou seja, para mostrar ao médico o motivo da febre. Mas claro, a espera só é válida na criança que está em BOM ESTADO GERAL. Outra coisa importante de ressaltar é que nos menores de 2 anos, principalmente, abaixo de 6 meses, somos menos tolerantes. Isso não quer dizer que no primeiro pico você deva sair correndo, mas vale avisar o seu pediatra para vocês decidirem a melhor conduta. Mais uma coisinha… você não precisa levar seu filho com febre para a consulta!! Nenhum sintoma será mascarado pelo antitérmico e é sempre melhor examinar a criança já sem febre, tanto para o médico quanto para a própria criança. Então, se possível, medique e saia de casa!!

MANCHAS NO CORPO: as bolinhas, vermelhão no corpo, coceiras são sintomas bem comuns da infância, mas que têm diferentes causas e poucas delas merecem uma consulta de pronto-socorro. A presença de manchinha roxas, pequenas, chamadas petéquias, que não desaparecem quando se passa a mão em cima (teve uma paciente minha que descreveu muito bem: parece que pintou com canetinha roxa!!), localizadas em diferentes partes do corpo e associadas a febre devem ser valorizadas. Lembrando que essas lesões podem aparecer na face e pescoço quando a criança está com muita tosse ou vomitando, sem serem de fato um sinal de alerta.

URTICÁRIAS: Outra lesão que pode precisar de um atendimento de urgência. Essas são lesões vermelhas, de bordas elevadas, de tamanho médio a grande, que aparecem e desaparecem sozinha em diferentes locais do corpo. Quando essas lesões acometem face e principalmente lábios, ou estão associadas a tosse rouca ou desconforto respiratório, ou ainda são de grande extensão, a ida ao pronto atendimento é necessária.

VÔMITOS/DIARRÉIA:  nos dois casos, a maior preocupação é com a desidratação, principalmente nos menores de 2 anos. Os sinais de alerta neste caso são: boca seca, olho fundo, choro sem lágrimas, prostração, vômitos incoercíveis (que não melhoram após a medicação, ou que nem a toleram) intolerância de aceitação oral de medicações ou alimentos/ líquidos e ausência de xixi por mais de 6 a 8 horas.

DIFICULDADE RESPIRATÓRIA: se expressa com respiração curta e rápida, na maioria dos casos acompanhada de tosse e dependendo da causa, há a presença de estridor (um barulho forte e alto quando a criança inspira) ou chiado (um barulho semelhante ao miado de um gato). A criança faz esforço para respirar, tem dificuldade para falar e pode até ficar cianótica (roxinha). O desconforto respiratório pode ser causado pela piora de um quadro que já vinha acontecendo, como uma crise de asma, um resfriado ou pode ser o primeiro sintoma de um engasgo ou da laringite. Essas situações exigem cuidado e atendimento rápido para não evoluírem…

INTOXICAÇÕES EXÓGENAS: a ingestão inapropriada de medicações, produtos de higiene ou limpeza são emergências clínicas na maioria dos casos. Não provoque o vômito, não dê água, pegue o frasco da substância ingerida, veja a hora do acidente e vá ao pronto atendimento mais próximo, sem demora.

FERIMENTOS/ QUEDAS/ TRAUMAS: ferimentos com sangramento intenso e difícil de estancar ou de grande extensão/ profundidade valem uma avaliação médica no pronto-socorro. No caso dos traumas, aqueles que não devem postergar o atendimento médico são  os de alto impacto em região abdominal, genitais ou em qualquer parte do corpo com possível fratura. Quedas em crianças menores de 6 meses, não presenciadas ou de alto impacto devem ser sempre levadas ao pronto-socorro. Aqui, vale lembrar que são sinais de alerta: perda de consciência após a queda (desmaio), vômitos ou alteração de comportamento (sonolência ou agitação excessivos). A criança deve ser cuidadosamente observada nas próximas 6 horas até 48 horas após o evento.

DOR ABDOMINAL: a dor abdominal é um sintoma muito comum na infância que aparece nas mais diversas situações, desde uma amigdalite, diarréia, até uma apendicite… O que é importante lembrar é que nas urgências/ emergências deste tipo, a dor é muito intensa, que só piora com o passar do tempo, sem melhora após medicação, podendo ou não ser acompanhada de outros sintomas como febre ou vômito. Dor abdominal após algum trauma nessa região também inspira maiores cuidados.

CONVULSÃO: situação muito temida pelas mamães… O quadro mais conhecido é aquele com tremores grosseiros, salivação intensa, liberação esfincteriana e desvio do olhar. Sempre é necessário levar ao pronto-atendimento, tentando dizer ao médico quanto tempo durou a crise (apesar de sempre parecer uma eternidade, dura alguns minutos). Outra coisa importante é que nem sempre é relacionada à febre e febre alta não aumenta o risco de convulsão. Quem tem predisposição, tem convulsão mesmo com febre baixa.

Ufa, acho que é isso!! Lembrando sempre que, ao partir para uma consulta no pronto-socorro, o seu pediatra de rotina deve ser comunicado para poder acompanhar o tratamento, já que é ele quem conhece e segue o seu filho. As consultas de pronto-socorro não devem substituir as consultas de rotina, as quais visam o acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento da criança, orienta sobre alimentação em cada fase da infância, recomenda as vacinas adequadas e é onde cria-se um vínculo entre pais, criança e pediatra!!

Este post foi publicado no Blog Aprendizados de Mãe

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