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O que devo fazer para estimular o meu bebê?

Dra, o que devo fazer para estimular o meu bebê?

Ouço com bastante frequência essa pergunta no meu dia a dia em consultas de puericultura de bebês em seu 1º ano de vida. A preocupação que o desenvolvimento neuro psicomotor ocorra da melhor maneira possível, sem o temido ATRASO, é o que faz os pais quererem a melhor orientação para estimular seu filhote.

Em tempos de tecnologia e inteligência artificial, é preciso pensar sobre o que de fato é estímulo e o que devemos esperar para cada fase do bebê.

Diante de tantos relatos e anseios, confesso que a palavra estímulo já tem me causado um certo arrepio. Vou explicar melhor!

Junto com a pergunta do estímulo, os pais dizem que o bebê não consegue ficar mais de 10 ou 15 minutos na mesma atividade e que, depois de colocar na cadeirinha de balanço, no bumbo, no tapete de atividade, de mostrar todos os brinquedinhos coloridos e barulhentos, o bebê continua entediado e ela não sabe mais o que fazer com ele que não para de choramingar e, a única, brilhante e infalível solução a Galinha Pintadinha, e o galo carijó!!! Cada vez mais cedo, antes mesmo de sentar-­se sem apoio (marco esperado até os 7 meses), os bebês estão assistindo seus “programas favoritos” nas telinhas e telonas.

O que precisa ser medido e pensado aqui, antes mesmo de falar sobre o uso ou não da tela, é como esta criança se desenvolve. Será que de fato ela precisa de estímulo visual ou precisa descansar, será que ela precisa ficar recebendo informações prontas de forma passiva ou precisa dormir um pouco, criar uma nova rotina e ter a liberdade de explorar seu ambiente com calma antes da mãe trocar a atividade de tempos em tempos?

Já ouviram falar de ócio criativo ou tédio necessário? São estes momentos de “fazer nada” que o desenvolvimento também acontece.

É consenso que o uso de telas é contra-­indicado aos menores de 2 anos. Esta informação tem sido divulgada massivamente e é bem sabida por grande parte da população. Com essa definição, no fundinho, todo mundo sabe que “faz mal,” pois já se conta com uma certa culpa.

Vamos aos fatos: Um bebê pequeno não fica muito tempo brincando com a mesma coisa, o tempo para ele é algo bastante abstrato e isso não significa que ele seja hiperativo, provavelmente ele está dentro do desenvolvimento esperado, mas diante de tantas informações, o que mais acontece é termos bebês estimulados em excesso, que vão apresentar dificuldades de concentração e foco lá na frente.

O choro é a primeira linguagem do bebê, e é a única forma forma que ele tem para dizer que precisa de algo ou tem algo que o incomoda como sono, fome, fralda suja. Por isso, antes de se preocupar com que atividade proporcionar ao seu filho, lembre-se, o ambiente em que ele vive já é um estímulo, ouvir a voz dos pais, tomar banho ouvindo alguém cantar, ou perceber os barulhos da casa, possibilitam o bebê de entender onde e como vive, proporcionando desenvolvimento.

Por mais que eu explique que cada bebê tem o seu tempo e que determinar atividades ou metas é desnecessário, preciso acolher estas mães e fazê-las perceberem que sim, é possível criar o filho sem mil brinquedos, e agenda de compromissos logo nos primeiros meses de vida.

Quando falamos da importância da puericultura, um dos itens que devemos acompanhar é o desenvolvimento cognitivo da criança, isso envolve a parte motora e neurológica, por isso existem alguns parâmetros que servem de guia e que, quando algo estiver fora do esperado, avalia-se com cautela e por vezes, uma segunda opinião faz-se necessária.

Claro que não podemos ignorar, o relato de tantas mães de crianças atípicas que tiveram diagnósticos tardios ou sinais claros de atrasos ignorados. É possível entender e também é preciso acolher, quando uma mãe chega ansiosa e conta que a amiga tem um filho com atrasos e que estes foram ignorados pelo pediatra, ou um parente que ninguém notou que precisava de ajuda, nem mesmo o médico que cuida da família há tanto tempo.

O tema é longo e por isso, prepararei alguns textos com informações sobre as fases do bebê e o que devemos esperar em termos de desenvolvimento e aquisições.

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